Por trás do véu de Madame LaLaurie
- Thais Riotto
- 6 de jul. de 2021
- 6 min de leitura
Localização: 1138 Royal St, New Orleans

(Foto Internet)
O Clã Macarty
Delphine fazia parte do rico e politicamente poderoso clã Macarty, de família original da Irlanda. Sua família incluía oficiais, fazendeiros e mercadores. Muitos de seus parentes possuíam e administravam grandes propriedades e escravos. Como seu sobrenome indica, sua família é originária da Irlanda. Contam as lendas que o patriarca da família saiu da Irlanda para a França, fugindo da tirania política e religiosa imposta pelos monarcas da Inglaterra.
Três vezes é um Feitiço! E ela se casou 03 vezes.
Primeiro Casamento:
No dia 11 de Junho do ano de 1800, casa-se de novo com Don Ramon de Lopez y Angullo, um oficial espanhol de alta patente. Mudaram-se para a Espanha. Dom Ramon morreu em Havana a caminho de Madrid, a esposa não estava com ele, nessa viagem.
Dessa relação, nasceu uma menina Marie Borgia Delphine Lopez e Angulla de la Candelaria, no qual tinha um apelido: Borquita. Após a morte do marido, Delphine volta para New Orleans.
Segundo Casamento:
Delphine se casa com Jean Blanque, um homem que carregava muitos títulos entre eles: banqueiro, comerciante, advogado e legislador.
Casaram-se em Junho do ano de 1808. Compraram uma casa na 409 Royal Street, desse relacionamento nasceram 04 filhos: Marie Louise Pauline, Louise Marie Laure, Marie Louise Jeanne e Jeanne Pierre Paulin Blanque.
No ano de 1816, Jean Blanque morre.
Terceiro e Último Casamento:
No ano de 1825, Delphine casa-se de novo com Leonard Louis Nicolas LaLaurie, um médico, embora fosse considerado um quiroprático. O encontro não foi ao acaso, ele era médico de uma de suas filhas do segundo casamento, ela tinha algumas deformidades ao longo da coluna e posteriormente adoeceu e ele foi contratado para cuidar da menina.
Cartas mostram que Leonard Louis Nicolas LaLaurie partiu de Nova Orleans para a França e que foi seu irmão quem o convenceu a voltar, já que tinha engravidado Delphine, e agora era preciso se casar com ela.
No ano de 1831, ela compra uma propriedade na 1140 Royal Street, mas o casamento não foi feliz, depois de muitas brigas ouvidas pelos vizinhos, Louis LaLaurie, no ano de 1834, sai de casa, abandonando a família.
A Loucura:
Foi a perda de seu último marido, que a levou a loucura. Rumores contam sobre a forma como ela estava tratando os escravos e no ano de 1833, ocorre um incidente. Leia, uma jovem escrava da casa caiu no pátio e morreu na hora. Delphine Macarty LaLaurie, recebeu todos os olhares de que ela era a responsável.
Foi realizado uma investigação e todos os seus escravos foram libertados. Delphine, comprou um por um, de volta, todos. Então, tudo ficou calmo até o ano de 1834.
Ano de 1834 – O incêndio na mansão LaLaurie

(Foto Internet)
Na manhã de 10 de Abril do ano de 1834, um incêndio ocorreu na luxuosa mansão de Delphine LaLaurie,
O fogo foi aceso na cozinha, do qual foi alegado que o incêndio começou propositalmente por uma escrava acorrentada a um fogão, que cumpria punição. O incêndio, segundo o inquérito foi uma tentativa de chamar a atenção para as condições deploráveis que ela e seus companheiros escravos sofreram.
E quando o fogo destruiu parte da casa, trouxe os segredos obscuros para a luz, entre eles estavam sete escravos que morreram de fome e foram torturados e acorrentados na parte superior do prédio, e outros escravos estavam com a pele machucada, retorcida, ossos quebrados. Muitos relatos se misturam entre verdades e histórias aumentadas.
Os demais escravos foram carregados para o Cabildo (eram a unidade fundamental do governo local na América espanhola colonial) e receberam tratamento médico, comida e bebida.
Aproximadamente 02 mil habitantes da cidade foram ver as vítimas, todos ficaram em choque com a visão miserável que eles estavam. As pessoas se dirigiram para a frente da Mansão LaLaurie com a certeza de que o xerife iria prender Delphine, mas o xerife nunca chegou, desencadeando no final do dia, uma multidão com um pensamento único: vingança.
Madame LaLaurie consegue sair da casa e a multidão invade a casa vazia, retirando objetos de valor e desmontando o que podiam, fosse quebrando, atacando, danificando as paredes e os telhados. Na manhã seguinte a casa estava quase que demolida, somando com o incêndio.
No jornais locais a fúria estava presente de novo Madame LaLaurie foi insultada como um monstro, um demônio em forma de mulher, ela era a própria fúria que escapou do inferno.
Histórias ou Verdades?
No ano de 1946, Jeanne Delavigne, escritor e pesquisador, que segundo ele juntou informações de jornais locais, entrevistas e da vizinhança, escreveu um livro intitulado como: The Haunted House of the Rue Royal (Tradução Livre - A Casa Assombrada da Rua Royal).
Jeanne Delavigne, declara que quando a casa foi vendida, e a propriedade estava sendo reconstruída, foi encontrado ossos humanos nas mais diversas posições, e os crânios tinham buracos. Foi concluído, após investigação que os corpos pertenciam aos escravos de LaLaurie, que foram mortos e enterrados na casa para que ninguém soubesse de suas mortes.
Um de seus informantes, segundo registros foi Monseuir Montreuil, o vizinho rejeitado de Madame LaLaurie, ele foi apaixonado por ela, e ela o recusou. Desse fato, fica se muitas perguntas se ele inventou as histórias por não ter seu amor correspondido, transformando-a em um mostro ou se fato ele realmente sabia do que estava falando, por presenciar tais situações. Esse vizinho foi localizado por jornais que fizeram uma reportagem, após o incêndio, e outros vizinhos contaram sobre ele.
Revista New Orleans Times-Picayune: 04 de Fevereiro de 1934
"Sua indulgência para com seus escravos foi bem contada por amigos. Ela entregava copos de vinho meio vazios no jantar para o escravo que esperava atrás de sua cadeira, insistindo que eles bebessem. Seu cocheiro foi alimentado com suavidade." Repórter Meigs Frost.
Site Oficial: https://www.nola.com

Por trás do véu: Entre histórias, qual a é a verdade sobre Madame LaLaurie?
Sobre os escravos e os experimentos, todos os relatos só apareceram após o ano de 1940. Porque nenhum jornal da época antes dessa data, não possui registros? Ou possuíam e de alguma forma foi apagado?
Ela não tinha amores pelos escravos, mas a ponto de fazer experimentos e quebrando ossos, fica no ar uma dúvida, pois não há registros oficiais sobre essa questão. Um único fato que aparece na pesquisa sobre ela, mas que também não se trata de registros oficiais ou diários é sobre o fato de que LaLaurie não gostava dos escravos, porque todos os seus parentes homens, incluindo seu pai, teve amantes que eram negras livres.
Caminhos de Madame Delphine LaLaurie
Registros contam que ela deixou New Orleans e foi para França, o navio em que estava atracou em Mobile antes de continuar a viagem para Paris. E aqui termina os registros, sua morte ficou envolta de um véu de mistérios, assim como grande parte da sua vida, no qual toda a história, tem falhas de registros.
Muitas histórias apareceram sobre ela, sobre usar nome falso, ou voltar escondida para New Orleans, mas os pesquisadores negam e acham improvável qualquer um desses relatos.
No cemitério de St. Louis, tem a tumba de Blanque, onde está seu corpo. Pesquisadores afirma que a história que mais se encaixa como verdadeira é que ela faleceu na França, e seu enterro foi feito em New Orleans.
Existem registros oficiais na França que mostram que ela morreu em 7 de dezembro do ano de 1849. Nesses registros estão as cartas que escrevia para seus filhos. Ela conta que gostaria de voltar para a cidade de New Orleans, mas os filhos a proibiam. Em um dessas cartas um dos filhos indaga a mãe: "Você não se lembra do que aconteceu lá?"
O único filho que não viveu em Paris, foi do seu casamento com Louis LaLaurie, todos os outros estiveram com ela, na mesma casa, o resto de seus dias.
A Mansão LaLaurie – Atualmente
Quase 02 séculos se passaram do ano de 1834, mas os eventos ainda são contados até hoje na cidade, a verdade se misturou tão profundamente com histórias e lendas, que a cada nova pesquisa pela busca da verdade, se cai em novos abismos. A casa ganhou quase que uma vida, uma entidade espiritual de sua própria história e alma.
No ano de 2009, o ator Nicolas Cage comprou a propriedade, mas ele a perdeu logo depois por causa da falência e sua carreira despencou. Sussurros vagam pela cidade dizendo que os fatos estão relacionados com a maldição da Mansão LaLaurie
Desde Delphine LaLaurie, segundo registros, ninguém viveu na propriedade da 1140 Royal Street por mais de cinco anos.
Dizem as lendas que a casa é assombrada, e que mesmo sem estar aberta para visitação, é possível ouvir sons e eventos inexplicáveis nas proximidades. Estaria ela, de volta a New Orleans, já que seu corpo está enterrado na cidade e caminha, como eterna moradora pelas ruas ou ainda permanece em sua última residência?

(Foto Internet)
Nossa como pode tem gente ruim... se for verdade tudo isso.
Gostei do post mesmo assim. Escreve bem
que medo!!!!!!!!
New Orleans, estou amando tudo que voce escreve sobre ela, nao conhecia