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Phantasmagoria

Atualizado: 14 de fev. de 2024

Uma técnica antiga usada para criar o teatro de terror, usava-se uma ou mais lanternas mágicas para projetar imagens assustadoras de esqueletos, demônios e fantasmas em paredes com efeitos de fumaça ou telas semitransparentes, normalmente usando uma projeção traseira para manter a lanterna fora de vista.


(Foto Internet)


Esses projetores eram fáceis de transportar permitindo que a imagem projetada movesse e alterasse de tamanho na tela. E havia vários dispositivos de projeção permitindo a troca rápida de imagens diferentes.


Todos os recursos que podiam ser usados para que a técnica fosse mais realista eram aplicados, em muitos programas e shows a decoração, uso de ambientes escuros, efeitos sonoros fantasmagóricos, usavam o aroma para estimular o sensorial do público somavam para que o holograma “ganhasse vida real”.


Alguns artigos falam a respeito do uso de equipamentos mais drástico, como o choque elétrico e substâncias alucinógenas para que os expectadores ficasse convencidos do que estavam vendo. Os show eram normalmente tarde da noite para que a escuridão fosse mais uma base dessa realidade, provocando o medo, o terror.


Alguns Registros pela História


Giovanni Fontana: 1420


Giovanni Fontana (um frade dominicano e arquiteto do maneirismo tardio italiano), desenhou no ano de 1420 desenhou uma imagem mostrando uma pessoa usando de uma lanterna para projetar um demônio alado

(Foto Internet)


Muitos documentos retratam que os antigos Deuses e espíritos tenham sido conjurados através de espelhos côncavos, câmeras escuras ou projeções de lanterna magicas.


Giambattista della Porta: 1589


Em seu livro: Magiae naturalis sive de miraculis rerum naturalium datado do ano de 1589, de Giambattista della Porta (alquimista e comediógrafo: autor de textos cômicos), descreve como assustar as pessoas usando uma imagem projetada. Qualquer imagem que ao ser colocada na frente de um buraco da câmera obscura, com várias tochas ao redor, dessa forma o os espectadores não perceberiam a folha, mas apenas a imagem projetada flutuando no ar.



(Foto Internet)

(Foto Internet)


François d'Aguilon: 1613


Outro autor, o matemático, físico e arquiteto jesuíta belga François d'Aguilon no ano de 1613 descreve em seu livro Opticorum Libri Sex apresentou a questão de como alguns charlatões enganaram as pessoas para ganhar dinheiro, alegando que conheciam a necromancia (a arte de adivinhar o futuro por meio de contato com os mortos para provar trariam os espectros do diabo do inferno e os mostrariam para o público dentro de uma sala escura.


(Foto Internet)


Obs. As primeiras imagens que sem tem conhecimento que foram usadas eram projeções da morte, do inferno, de monstros com o intuito de apavorar as pessoa e ganhar dinheiro.


(Foto Internet)


Athanasius Kircher: 1646


Athanasius Kircher, jesuíta, matemático, físico, e inventor alemão em seu estudo datado do ano de 1646 em Ars Magna Lucis et Umbrae que pessoas, com má índole podiam utilizar de forma não adequada o seu sistema de projeção de espelho estenográfico pintando uma imagem do diabo e projetando-a em um lugar escuro para forçar as pessoas a cometerem atos perversos entre outras situações, que ele desaprovava. Mais tarde esse invento de espelhos, receberia o nome da Lanterna Magica, nome dado pelo dinamarquês Thomas Walgenstein.


(Foto Internet)


O que é uma lanterna mágica?


Resumindo é um projetor equipado com lentes de vidro no qual possui imagens pintadas. Quando usadas em uma sala escurecida com o uso de luz artificial, permite ampliar a projeção sobre uma tela ou parede branca e dessa forma o público passa a ver a imagem como estando presente no local.


(Foto Internet)

(Foto Internet)


 

Post sobre a Lanterna Magica aqui no Blog: Clique Aqui




 

Christiaan Huygens: 1650


O astrónomo e inventor holandês Christiaan Huygens no ano de 1659 desenhou bárias fases da morte removendo seu crânio de seu pescoço e colocando-o de volta, que eram esboços feitos para uma projeção com "lentes convexas e uma lâmpada. Essa lâmpada, foi chamada de Lanterna do Susto. Alguns registros trazem que Cristiaan criou sua lanterna tendo como base a lanterna criada por Athanasius Kircher.


(Foto Internet)

(Foto Internet)



Thomas Rasmussen Walgensten: 1664


Seu show de lanternas magicas, em 1664 fez com que o fotógrafo francês Pierre Petit, chamar o dispositivo de Lanterna do Medo (em francês Lanterne de peur). No ano de 1670, Walgensten projetou a imagem da morte na corte o Rei Frederico III, da Dinamarca.


(Foto Internet)

Robert Hooke: 1668


No ano de 1668, o cientista e meteorologista inglês escreveu um artigo sobre um tipo de instalação de lanterna mágica: “Ela produz efeitos não só muito deliciosos, mas para quem não conhece o artifício muito maravilhoso; para que os espectadores vejam as várias aparições e desaparecimentos através de movimentos, mudanças e ações que podem, desta forma ser representados, prontamente acreditariam que eles são sobrenaturais e milagrosos”.


(Foto Internet)


Charles Patin: 1672


O médico, arqueólogo, antiquariano (estuda, vende ou coleciona antiguidades) e numismata (estudo sob o ponto de vista histórico, artístico e econômico das cédulas, moedas e medalhas) francês em 1672 ficou impressionado com o show de lanternas que Monsieur Grundler apresentou para ele em Nuremberg (Alemanha).


(Foto Internet - Charles Patin)


“Ele agita as sombras a seu bel-prazer, sem a ajuda do submundo. (... ) Minha estima pelo seu conhecimento não pôde evitar meu susto, eu acreditava que nunca houve um mago maior do que ele no mundo. Eu experimentei o paraíso, eu experimentei o inferno, experimentei espectros. Eu tenho alguma constância, mas eu teria dado um de boa vontade metade para salvar a outra”. Charles Patin


Depois desse show, Monsieur Grundler apresentou outros temas desde pássaros, palácios, a um casamento no campo até cenas místicas.


(Foto Internet)


Obs. Apesar dos slides que foram salvos do tempo do uso das lanternas, das décadas seguintes, terem diversos temas, as imagens assustadoras continuaram populares.

Edmé-Gilles Guyot: 1770


O médico francês, inventor e fabricante de aparelhos de magia e instrumentos científicos Edmé-Gilles Guyot descreveu no ano de 1770 várias técnicas em seu livro Nouvelles récréations physiques et mathématiques, incluindo a projeção de fantasmas usado fumaça.


(Foto Internet)


Johann Georg Schrepfer: 1770


Na cidade de Leipzig, na Alemanha no ano de 1770 o proprietário de um café, charlatão, necromante Johann Georg Schrepfer realizou sessões sobre fantasmas que levitam e experimentos necromântico para sua loja e exigiu que para essas sessões aconteceram seu público precisaria jejuar por 24 horas e foram servidos saladas e ponche (alguns documentos falam sobre possíveis drogas terem sido colocadas) antes da meia noite.


(Foto Internet)


O local, obviamente era uma sala escura, com um altar coberto por um pano preto. Johann Georg Schrepfer, estava vestido com uma túnica para rituais e havia outa exigência a seu público, que permanecem durante toda a sessão sentados, se desobedecessem enfrentaria perigos terríveis.


O ritual era composto de uma mescla de símbolos: maçônico, católico e cabalístico, continha crânios, água benta, crucifixo e outros. Os fantasmas que se faziam presente eram claramente visíveis, pairando no ar, vaporosos e às vezes gritando terrivelmente.


Ele usava de várias técnicas em suas sessões além dos fantasmas criados com as lanternas magicas, tinha conhecimento de ventriloquismo (a arte de projetar a voz, sem que se abra a boca ou mova-se os lábios, dessa forma parece que a voz vem de outro local ou pessoa), usava de fumaças, câmeras obscuras, efeitos sonoros e visuais, e possivelmente alucinógenos, considerando que tinha o jovem Johann Heinrich Linck, farmacêutico como amigo próximo, nenhum documento comprava que ele de fato ajudava fornecendo remédios e drogas, mas alguns registros falam sobre essa possibilidade.


(Foto Internet)


No ano de 1774, foi o auge de sua carreira por fazer uma apresentação para a corte Palácio Real de Dresden, Alemanha. Suas Sessões traziam espíritos antigos dentre eleso último Grande Mestre dos Cavaleiros Templários: Jacques de Molay. Um registro histórico descreve uma cena de uma dessas sessões dizendo que Schrepfer ordenou que Molay levasse uma carta a um companheiro em Frankfurt, esse obedeceu prontamente e meia hora depois voltou meia hora com uma resposta assinada em Frankfurt pelo companheiro.


Na madrugada do mesmo ano, em 08 de Outubro de 1774 Schrepfer, morreu. Registro falam sobre a teoria de suicídio usando uma pistola, no qual cinco amigos estavam presentes no momento. O que levou ele a cometer o suicido foram suas ilusões sobre suas habilidades necromânticas, do qual ele se convenceu de que poderia ressuscitar depois. Mas existem registro que cometam sobre indícios de assassinado. Não há nenhum registro (dos que eu encontrei, que prove uma teoria ou outra).


O que é uma câmera obscura?


Inventada no ano de 1154 por Leonardo Da Vinci. É uma sala escura (ou caixa) com um pequeno orifício ou lente em um lado através do qual uma imagem é projetada na parede oposta ao orifício


(Foto Internet)


(Foto Internet)



Paul de Philipsthal: 1790


No ano de 1790, documentos afirma que apesar desse estilo já ter sido usado antigamente, teria sido o mágico Phylidor, também conhecido como "Paul Filidort" que criou o primeiro show de fantasmagoria verdadeiro. Após uma primeira sensação de show sobre fantasmas flutuarem em Berlin, no ano de 1789 foi considerado como fraude e expulso da Prússia (é uma região histórica que se estende desde a baía de Gdańsk, o final da Curlândia, até a Masúria, no interior do que é atualmente território polaco).


(Foto Internet)


Desde ponto em diante passou a comercializar seu shows necromânticos como uma arte que revelava como os charlatães enganavam seu público, tendo também melhorada a qualidade de seus show com o uso de uma lâmpada que tinha sido recentemente inventada a Lâmpada de Argand. Com essa melhoria, seu show passa a chamar-se Phantasmagoria.


No ano de 1801, uma produção de fantasmagoria de Paul de Philipsthal estreou no Lyceum Theatre, em Londres. Foi um grande sucesso.

(Foto Internet)


De dezembro de 1792 até julho de 1793, Paul Filidort apresentou seu Phantasmagorie (grafia francesa) em Paris. Segundo registros Etienne-Gaspard Robertson esteve em um desses shows, e com base neles passa, alguns anos depois a criar seus próprios shows de Phantasmagoria.



O que é a Lâmpada de Argand?


Foi inventada e patenteada no ano de 1780 pelo físico e químico suíço Aimé Argand. Consistia em um pavio circular colocado no interior de uma cúpula de vidro, por onde passava uma corrente de ar que auxiliava a combustão.


De dezembro de 1792 até julho de 1793, Paul Filidort apresentou seu Phantasmagorie (grafia francesa) em Paris. Segundo registros Etienne-Gaspard Robertson esteve em um desses shows, e com base neles passa, alguns anos depois a criar seus próprios shows de Phantasmagoria.

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(Foto Internet - Aimé Argand)



(Foto Internet)



Robert na Cour des Capucines “ Robertson”: 1797


Foi um inventor e físico belga , tornou-se o mais conhecido showman de fantasmagoria, criou o fantascópio, uma junção de todas as lanternas magicas, contudo não podia segurar com as mãos, era preciso que alguém ficasse próximo a ele e movesse fisicamente todo o fantascópio para mais perto ou mais longe da tela.

(Foto Internet)


Ele passava suas lâminas de vidro por uma camada de fumaça enquanto estavam em seu fantascópio, a fim de criar uma imagem que parecia desfocada, e as usava de forma muito rápida dando a ilusão de que a imagem, na sala escura estava mesmo se movendo.


Seu primeiro Phantasmagoria foi apresentado no ano de 1797, no Pavillon de l'Echiquier em Paris. A atmosfera macabra da cidade foi perfeita para aa extravagâncias gótica de Robertson e suas criações elaboradas e decorações.


(Foto Internet)


O seu show tinha uma verdadeiro realismo e com isso o público as vezes esquecia que estava assistindo truques, em uma dessas vezes a polícia suspendeu temporariamente o show, acreditando que Robertson tinha o poder de trazer Luiz XVI de volta a vida .


Estados Unidos: Ano de 1803


Phantasmagoria chegou nos Estados Unidos no ano de 1803, em New York. Criando diversos shows nessa categoria, entre as pessoa está Martin Aubée, um dos assistentes que trabalhou com Robertson. Além da técnica, todo os ambiente, decoração e outros recursos também eram usados.


(Foto Internet)

John Evelyn Barlas: 1880


Poeta inglês que escreveu para vários shows de fantasmagoria. Usava seu pseudônimo de Evelyn Douglas. Escreveu as mais diversas obras de Phantasmagoria focando nos sonhos e pesadelos, nas chamas, no fogo; Seus trabalhos são conhecidos por incluir descrições extravagantes.


(Foto Internet)


Tempos Atuais


Podemos encontrar grupos de teatro, nos Estados Unidos e Reino Unido que usam da Phantasmagoria em suas apresentações, especialmente na época do Halloween.


O termo também é utilizado em diversas mídias, em jogos eletrônicos, livros e outros.


 

Vídeo:








 

Biografia:


Paul de Philipsthal Phantasmagoria 1801

Magia optica, de Schott, Kaspar

Magic Lantern. Deac Rossell

Michael Charlesworth, Landscape and Vision in 19th century Britain and France(Ashgate, 2008), Chapter Two, "Ghosts and Visions

Douglas, Evelyn (1887). Phantasmagoria

Barber, Theodore. Phantasmagorical Wonders: The Magic Lantern Ghost Show in Nineteenth-Century America

Entre outros site e artigos.

2 Comments

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Guest
Jul 08, 2021

Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha lido sobre a tecnica com tantos detalhes e nem visto tantas ilustrações. Muito bom o texto.

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Guest
Jul 03, 2021

Eu me formei em teatro, apesar da minha faculdade ter excelente textos, achei seu blog muito bem escrito. Na minha faculdade foi falado um pouco da tecnica, mas não chegou nem perto de todos esses detalhes. Adorei ler, já compartilhei. Seu blog me chamou atentão sobre questões peculiar, gosto do tema e lendo, vi que tem partes sobre teatro, gostei ainda mais. Vi que é escritora, comprei um livro seu, Morte na Cabine B340 porque fala de teatro e amei. Parabéns, o livro e o blog são muto bons


Carina

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