Os Fantasmas de Beauregard-Keyes
- Thais Riotto
- 6 de nov. de 2021
- 6 min de leitura
Localização: 1113 Chartres St, New Orleans

(Foto site Oficial)
Bairro Frances, no quarteirão da rua Chartres e das Ursulinas, essa arquitetura chama atenção, por diferenciar de todas a sua volta.
Atualmente é um museu, mas já foi casa residência, tendo diversos proprietários vivos e mortos ao longos dos anos.
História da Arquitetura:
No começo do século XVIII, a propriedade foi construída para ser um arsenal de armas para a nascente cidade de Nova Orleans, até que as freiras ursulinas chegaram da França, no ano de 1726 e o rei da França, entregou todo o quarteirão para elas. Dessa forma passa a ser usado para a religião, até a propriedade ser vendida.

(Foto site Oficial)
01º Proprietário:
No ano de 1825, Joseph Le Carpentier comprou a propriedade, tinha uma ideia certa da casa que queria construir. Mas, algo não deu certo, o primeiro arquiteto e construtor foi demitido nos primeiros meses e que continua com a construção foi François Correjolles, um arquiteto de Baltimore.
Le Carpentier e sua família moraram algum tempo na propriedade, até o ano de 1835 quando mudam-se para Royal Street, quando passa a morar com sua filha e genro Alonzo Morphy.
Obs. o neto de Le Carpentier era Paul Morphy, o mais jovem campeão mundial de xadrez. Ele nasceu em 1113 Chartres, e mais tarde se mudou com os pais e avô. Desde jovem, Paul Morphy foi capaz de vencer jogadores de xadrez anos à sua frente em idade e, supostamente, em habilidade também.
02º Proprietário:
Le Carpentier vendeu a propriedade para o cônsul suíço em Nova Orleans, o imigrante suíço John Merle.
Foi sua esposa, Madame Anais Philloppon Merle, a responsável pela construção do jardim do parterre. Ela escolheu que as duas paredes altas de tijolos fechassem o espaço do jardim e acrescentou duas janelas de ferro para que as pessoas que passassem pela rua pudessem admirar o jardim.
Para os vizinhos, o jardim da casa foi chamado de selva. Por dois motivos que eram costumes na época.
“O costume era colocar pátios e jardins nos fundos da casa por dois motivos principais.
A primeira: o Bairro French Quarter fedia aos céus, e os pátios estrategicamente colocados ofereciam às famílias um alívio do cheiro. A segunda: fazer isso permite que os crioulos acreditem que são humildes. O jardim de Madame Merle, sem dúvida, irritou os crioulos, especialmente porque a própria casa era uma mistura transitória de design francês e americano”. Trecho em cópia do site oficial em inglês.
Alguns anos depois, por questões financeiras, a casa é vendida.
03º Proprietário:
No ano de 1865, os Merles, vendem a casa para família Lanata.
Dominique Lanata comprou a propriedade. Era dono da mercearia no bairro francês e também cônsul-geral da Sardenha em Nova Orleans, a intenção era o aluguel da propriedade.
A casa fica em sua propriedade, e alugada até o ano de 1904.
01º Inquilino (Propriedade Dominique Lanata)
Pierre Gustave Toutant Beauregard, foi considerado um dos primeiros e mais respeitados generais do Exército Confederado. Ele lutou na Batalha de Bull Run, na Batalha de Shiloh e no Cerco de Corinto, Mississippi. Ele voltou para Nova Orleans após a guerra na esperança de encontrar um novo emprego.
“Conseguiu, tornando-se o presidente da New Orleans, Jackson e Great Northern Railroad. Após seu retorno, no entanto, a família de sua esposa leiloou sua casa ancestral e Beauregard ficou sem um lugar para ficar. Lamentando a perda de sua noiva, ele e seus dois filhos se mudaram para a casa alugada de Dominique Lanata” Trecho em cópia do site oficial em inglês.
No ano de 1868/1869 ele entrega a casa e muda-se para um novo endereço, 229 Royal Street.
Obs. Apesar de ser apenas um inquilino, a cidade começa a considerar a casa e chama-la da antiga propriedade de Beauregard.
Alguns anos depois, Dominique Lanata vende a propriedade para a família Giacona
04º Proprietário:
No ano de 1904, a família Giacona são os novos proprietários. No qual todos são envolvidos com um negócio de bebidas alcoólicas. Nessa época a família tinha uma vida luxuosa.
A casa funcionava como uma adega no primeiro andar. Mas, boatos começaram a ser espalhados de que havia mais do que uma adega no local. E Mão Negra da Sicília (uma seita da máfia em Nova Orleans), achavam que os Giaconas estavam atrapalhando o território.
“Pietro Giacona, o patriarca da família, fez um convite a quatro membros da turba, mas foi também ele (e seu filho) que ordenou a morte. No meio do jantar, os Giaconas se levantaram, pegando suas pistolas e abrindo fogo. Três dos Mão Negra caíram no chão, sem vida, enquanto o quarto ficou gravemente ferido. De alguma forma, ele conseguiu escapar, mas não foi muito longe, engatinhando como estava nas ruas de paralelepípedos do lado de fora. Os assassinatos foram conduzidos com as duas filhas de Pietro no final do corredor em seus quartos” Trecho em cópia do site oficial em inglês.
No ano de 1910, apesar de todos os indícios dos assassinatos apontarem para eles, as acusações sobre os Giaconas, foram retiradas.
No ano de 1925, a casa vai a leilão. Os homens da família haviam partido há alguns anos. Segundo uma entrevista feita na Loyola University New Orleans há alguns anos, as filhas que ouviram toda a situação foram deixadas sozinhas depois que seu pai desapareceu. Para ganhar dinheiro e se manterem, costuravam roupas de bebê e as vendiam no bairro French Quarter para obter lucro.
05º Proprietário:
No ano de 1925, a casa foi para leilão, comprada por Giacona, Antonio Mannino.
A intenção era transformar a propriedade em uma fábrica de macarrão. Ficou apenas nos planos, por toda a situação que o nome da família carrega, em pouco tempo os cidadãos somaram-se para tirar o novo proprietário do local
A casa é vendida novamente, alguns anos depois.
06º Proprietário:
No ano de 1945, o escritor Frances Parkinson Keyes mudou-se e iniciou as reformas, acrescentando o jardim parterre (canteiro é uma componente de um "jardim formal", plantado numa superfície plana e consistindo em canteiros de flores ou outras plantas, delimitados por sebes baixas ou muretes de pedra)
Na casa, foram escritos trinta romance entre eles: Dinner at Antoine's e The Chess Players, que era sobre Paul Morphy.
No ano de 1970, Frances Parkinson Keyes falece. E desde sua morte a Fundação Keyes opera a propriedade como um museu.
07º & Últimos Proprietários Eternos: Os Fantasmas de Beauregard-Keyes

(Foto site Oficial)
A propriedade traz em sua história assassinatos, tragédias, perdas e fantasmas.
É conhecido como uma dos locais mais assombrados de New Orleans, tendo como proprietários eternos, os fantasmas e encantados.
01º Morador Eterno:
Os soldados da Guerra Civil. São fantasmas/encantados quase sempre vestidos com seus uniformes cinza ou cor de butternut (uma variedade de abóbora também conhecida por Abóbora Manteiga). Quando eles são vistos, eles simplesmente ficam lá, um olhar vazio em sua expressão como se estivessem olhando para longe e desaparecem da mesma forma que aparecem, como se nunca estivessem na casa.
Os relatos relacionados a eles são dos que passam na rua, ouvem disparos distintos de tiros, sons de gemidos e gritos e o cheiro inconfudivel de fogo do mosquete enquanto era carregado pela brisa.
02º Morador Eterno:
Pierre Gustave Toutant Beauregard, que pode ser visto caminhando em sua propriedade, e a noite procurando por suas botas.
Ele foi enterrado apenas de meia, e como era um costureiro meticuloso, especialmente de uniforme, ele não consegue descansar até encontrá-las, ao menos é o que dizia o escritor Frances Keyes, que escreveu uma vez contando sobre esse relato.
03º Morador Eterno ( Será que realmente ele existe!)
Uma entidade interna, que não aparece nome.
Paul Morphy, enquanto morava na Rue Chartres 1113, parecia sofrer algum tipo de colapso mental. Um dia, a polícia encontrou Morphy correndo pela Rua das Ursulinas. A questão não era o fato dele estar nu mas o fato de que ele estava empunhando um machado, ameaçando matar a primeira pessoa que cruzasse seu caminho. Depois, sobre o episódio ele alegou que estava possuído.
Apesar de ser duas cenas misturadas com o divertido e o preocupante, a verdade é que, mesmo feito toda uma pesquisa na casa, junto com uma equipe de paranormais, essa entidade interna, parece não existir, e o que Morphy “viveu” foi um colapso desencadeado pela sua própria mente. Mas, aqui fica no ar uma questão, o que de fato o fez ter essa reação? Alguma doença, não registrada ou algo na casa realmente o influenciou?
Seja o que foi, parece não estar mais no local, ao menos não houve mais nenhum registro de situações parecidas com essa, apenas eternos moradores que não afetam a energia dos vivos e continuam eternamente circulando pela propriedade que atualmente é um museu.

(Foto site Oficial)
Site Oficial: https://www.bkhouse.org
Youtube – Tour & História: WYES
Quero ser enterrado com sapatos, já pensou voltar só para procurar os sapatos... e se como ele eu não achar? quero não......