Marie Laveau: A Feiticeira de New Orleans - Rainha do Vodu.
- Thais Riotto
- 15 de jun. de 2021
- 7 min de leitura
Atualizado: 4 de mar.

(Foto internet)
História de Marie:
Sua avó Catherine, foi levada da África com apenas 7 anos, e comprou sua liberdade da escravidão, tornando-se uma mulher de negócios com casa própria e trabalhava para que seus cinco filhos fossem libertados.
Marguerite, a mãe de Marie, pertencia a seu pai um caso distorcido de realidade durante o século XVIII, levando até a Proclamação de Emancipação.
Quando completou 18 anos, foi libertada, mas forçada a ter um relacionamento arranjado com um homem, branco, rico e bem mais velho que ela. Com ele teve 03 filhos, mas ela queria ir além, queria viver um amor de verdade.
Esse amor tinha um nome: Charles Leveaux, filho de um político importante em New Orleans. Envolveram-se, desse relacionamento resultou uma gravide inesperada. Marie, nasceu no dia 10 setembro do ano de 1794/1801 (a data é incerta nos registros).
Com medo do destino que a filha poderia ter, Marguerite faz a difícil escolha de voltar ao relacionamento arranjado, deixando a menina aos cuidados de sua mãe Catherine.
Marie cresce em uma infância tranquila, aos cuidados da avó. Ao completar 18 anos, ela conheceu um imigrante haitiano Jacques Paris, com que se casou.
Nessa parte os registros pulam parte da história, e tudo o que se sabe é que um dia, Jacques desapareceu. Fugiu? Morreu? Esse fato não aparece em nenhum registro. Tudo o que sabe é que o casamento durou um ano.
Antes do ano de 1826 começar, Marie conheceu Christophe Glapion, um homem branco pertencente a nobreza francesa. Desse relacionamento nasceram 15 filhos, mas apenas 02 viveram: Marie Heloïse Euchariste Glapion, nascida no ano de 1827 e Marie Philomène Glapion, do ano de 1836.
Próximo ao ano de 1850, seu marido falece. E segundo registros Marie nunca mais se envolveu com ninguém.
Marie - Mãe & Rainha do Vodu:

(Foto internet)
Marie tinha algo peculiar, uma combinação única de rituais vodu e catolicismo e com isso não demorou muito para que Marie Laveau se tornasse conhecida em toda a cidade como a Rainha Vodu de Nova Orleans.
Em um domingo, depois do final da missa os escravos estavam livres pelo resto do dia, segundo o regulamento do Code Noir, que se traduz em Código Negro. O local chamado de Praça do Congo, era os fundos do Bairro Francês, no que antes teria sido uma região selvagem e um pântano indomado. Era ali que as negociações de mercadoria e visita a membros de família que tinham sido vendidas acontecia. Mas era ali também que eles celebravam com canções, música, dança e rituais até o céu noturno cair.
Marie foi treinada pelo praticante de vodu Dr. John, um suposto príncipe africano do Senegal, Marie Laveau tinha facilidade e paixão por aprender e rapidamente se tornou sua sucessora e a principal atração no centro da Praça.
Ela liderava em cânticos, vendia curas e encantos e reunia inteligência (pessoas que sabiam como agir, que sabiam detalhes da sociedade. Marie sabia muito mais do que falava sobre seus clientes.
Ela também era conhecida por andar com uma jiboia pendurada nos ombros, o nome da cobra era Zombi, em homenagem à divindade serpente: Le Grand Zombi. Os escravos costumavam se reunir, elogiar e gritar "Rainha Marie! Rainha Marie!" como um grito de guerra para que todos possam ouvir.
O vodu era um negócio para Marie Leveau, mas ao mesmo tempo ela era conhecida por ser verdadeiramente compassiva, pois costumava visitar os hospitais da cidade e ajudar os pobres e doentes com seus remédios e orações.
Sua magia, seus feitiços eram usados para ajudar principalmente aqueles que precisavam de ajuda.
Casa Antiga:
Marie morava em uma velha cabana na Rue St. Ann, 152´. Contam as lendas que ela recebeu a casa por ajudar um homem rico a libertar seu filho das acusações de assassinato.
O ritual segundo registros teria sido com pimentas. Marie segurou três pimentas em sua boca, enquanto os infundia com suas intenções, depois escondeu as pimentas sob a cadeira do juiz presidente e, em seguida, pregou a língua de uma vaca sob a cadeira do promotor, o que aparentemente prejudicou sua fala e o deixou incapaz de apresentar seu caso adequadamente e o filho foi declarado inocente. O pagamento foi a casa.
Mas segundo registros históricos, a lenda não parece correta. Seria mais correto dizer que a casa foi comprada por sua avó Catarina. E passada de geração a geração.
A morte da rainha do vodu:
À medida que Marie ficava frágil e seu cabelo ficava branco, ela passou a participar cada vez menos dos rituais vodu e se concentrou mais em sua fé católica assistindo as missa diariamente e trabalhando com os prisioneiros do "corredor da morte", ajudando-os a se arrepender antes de serem mandados para a forca.
o ano de 1875 Marie adoeceu e passou a ficar confinada em casa. Marie, cercou-se quadros sagrados e outras relíquias religiosas.
No ano de 1881, com uma confiança devota no céu, ela veio a falecer e foi enterrada na tumba de sua família, no Cemitério St Louis.
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Casa Atual:
Endereço da Casa Atual: 1020 St. Anne St, New Orleans, Louisiana 70130
No ano de 1903, a casa original de Marie Laveau foi demolida e a nova estrutura foi construída nas mesmas fundações da original.
Ainda assim as pessoas afirmam tê-la visto caminhando pela St. Ann Street usando um longo vestido branco, um turbante na cabeça que supostamente tinha sete pontas dobradas para representar uma coroa. Afinal, ela é a Rainha do Vodu.
A casa agora é usada como aluguel por temporada. Na casa há algumas lendas.
A Lenda do Casal:
Um casal que veio de férias para New Orleans. No dia que chegaram, saíram para conhecer a cidade, quando voltaram a noite, começaram a ouvir cânticos e até batidas de tambor.
O marido achou que a música vinha da rua, mas ao sair para olhar, não viu nada, a noite está tranquila e a rua silenciosa.
Curioso, ele deu a volta no quarteirão em direção ao parque, mas ainda não encontrou nada além de silêncio, ao voltar para casa percebeu que o som estava na sala de estar. O que levou o casal, a não permanecer mais na casa aquela noite.
Na manhã seguinte, com o dia claro, voltaram a casa, caminharam até a sala onde tinham ouvido o som e encontraram uma pena no chão. Após verificar que toda a casa estava fechada, e que não havia formas daquela pena entrar no local, resolveram deixar a residência.
A pena era o objeto de assinatura de Marie Laveau, e é considerada uma grande relíquia entre os praticantes do vodu. Acredita-se que as penas trazem muita sorte a quem as encontrar. Mas, desde que a pena não esteja no travesseiro, nesse caso está relacionado a doença ou a morte.
Um homem e um Cochilo:
Um homem relatou uma história interessante de quando estava hospedado na casa. Ele tinha acabado de acordar de um cochilo quando seu olhar pousou em uma figura sombria parada no canto da sala, olhando para ele. A imagem sumiu do nada.
Outro Hospede:
Um visitante da casa de Marie Laveau, ela diz ter acordado uma manhã em sua segunda noite na casa e de repente ficou assustada porque era fisicamente incapaz de se levantar, como se alguém a estivesse segurando. Demorou um pouco até a sensação passar, e ela enfim, conseguir levantar.
Na cidade fala-se muito sobre o espírito de Marie e de seus seguidores ainda realizarem rituais no local de sua antiga casa. Uma vez que a fonte ainda afirma que os rituais geralmente incluem sacrifícios de animais para proteção.
Lembrando que o nome que ela carrega, e que para muitos tem um peso apenas negativo, Marie ajudou muitas pessoas, incluindo com curas e remédios que muitos não tinham condições de comprar, e com visitas em hospitais.
História Marie Philomène Glapion - O legado continua com Marie Laveau II

(Foto internet)
Depois que Marie I faleceu, sua filha, sósia idêntica dela continuou seu legado. Assumindo os negócios da mãe. A cidade, chegou a pensar que Marie I, teria ressuscitado, pela aparecia idêntica a da mãe. Mais jovem, mas tão bonita quando. E ao mergulhar nos passos da mãe, manteve viva as lendas, os negócios e a importância da rainha do vudo.
Mas, algumas pessoas comentam que diferente de sua mãe, ela somou como conhecimento e caminha por um lado mais sombrio do vodu.
Marie II, ficou conhecida por lançar rituais extremamente selvagens em Nova Orleans. Ela somou o sucesso de sua mãe e aumentou seu publico e fez questão de que os turistas soubessem disso, participando de celebrações na Bayou St.
Véspera de são João: Evento sagrado para o Vodu
Dia 23 de junho, véspera do aniversário de São João Batista (Dia de São João), é uma data importante para os praticantes de vodu.
Na noite anterior, Marie II fez uma celebração às margens do Bayou St. John, na qual fogueiras iluminavam as danças e orações que agradeciam aos santos. Esta celebração ainda continua hoje e pode ser encontrada ao lado de Bayou St. John na Magnolia Bridge em frente à Cabrini High School na Moss Street.
Segundo a lendas da cidade. Se você comparecer à celebração, o espírito de Marie Laveau pode se materializar e ela pode conceder um desejo a você.
Curiosidade:
“No ano de 1974 uma gravação ao vivo intitulada "Marie Laveau", cantada pelo cantor country Bobby Bare e escrita por Shel Silverstein e Baxter Taylor, chegou ao topo da lista de singles Hot Country da Billboard dos Estados Unidos. Quase 40 anos depois, Marie Laveau foi novamente lançada na cultura pop americana dominante, com o sucesso de American Horror Story: Coven .
Mesmo que a série fosse atormentada por imprecisões históricas, como a relação inexistente entre Laveau e Madame Delphine LaLaurie, no final, foi um bom negócio, algo que Marie Laveau certamente teria apreciado” Pesquisa em jornais de News Orleans
Loja: Marie Laveau's House Of Voodoo

(Foto internet)
Endereço: Loja 739 Bourbon St, New Orleans, LA
A loja além dos produtos, tornou-se um ponto turistico da cidade. Muitos turistas vão até o local para saber mais sobre Marie, seja por curiosidade ou pela história. Marie faz parte do contos, das lendas e do Vodu do mundo.
(Foto internet)
Breve explicação sobre o Vodu
O vodu teve origem na África, foi trazido pelos escravos e incorporou elementos da cultura dos dominadores, como o batismo católico.
Essa religião cultua os antepassados e entidades conhecidas como loas. Os rituais são marcados pela música, a dança e muita comida. Quem conduz o ritual é um líder homem (hougan) ou uma líder mulher (mambo).
Fonte da Explicação: https://brasilescola.uol.com.br/religiao/vodu.htm
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DIA: 15 de MAIO de 2025
