Folclore Marítimo Brasileiro
- Thais Riotto
- há 21 minutos
- 4 min de leitura
Uma rica e fascinante coleção de lendas, mitos e histórias que nasceram das vastas águas que cercam o Brasil.
Este folclore é resultado da interação entre as culturas indígenas, africanas, portuguesas e outras que chegaram ao país, criando uma tapeçaria única de crenças, criaturas místicas e histórias misteriosas que habitam o mar brasileiro.

Iemanjá – A Rainha do Mar
Iemanjá é uma das figuras mais importantes do folclore e da religião afro-brasileira. Considerada a deusa do mar, Iemanjá é venerada como a protetora das águas e das famílias, especialmente no candomblé e na umbanda.
Iemanjá é frequentemente retratada como uma mulher de pele escura, com longos cabelos negros, vestida com roupas de branco e azul, e com a coroa de conchas e estrelas do mar. Ela é considerada mãe de todas as criaturas do oceano.
Em sua grande generosidade, ajuda aqueles que se perdem no mar, oferecendo-lhes proteção e acalmando as tempestades. No Dia de Iemanjá (2 de fevereiro), muitos devotos fazem oferendas de flores e perfumes, jogando-as no mar como agradecimento à deusa.
Iemanjá também é conhecida como uma divindade do amor e da fertilidade, sendo associada ao cuidado materno e à proteção das famílias.
O Curupira do Mar – O Guardião das Águas
Curupira, normalmente conhecido como o protetor das florestas, também possui uma versão marítima que atua como guardião das águas. No folclore marítimo, o Curupira do Mar é descrito como um ser pequeno e travesso, que protege os animais marinhos e os pescadores.
O Curupira do Mar, assim como o Curupira das florestas, se caracteriza por ser travesso e se esconder para assustar aqueles que desrespeitam as leis da natureza. Ele pode se transformar em um peixe ou em uma onda e guiar os navegantes.
Ele engana pescadores, criando ventos fortes e ondas gigantes, para afastá-los de áreas onde os recifes de corais ou bancos de areia estavam protegidos.
O Curupira do Mar alerta os humanos para respeitar o mar e suas criaturas, mantendo o equilíbrio ecológico e evitando a exploração excessiva.
O Lobisomem do Mar – O Homem-Lobo Marinho
O Lobisomem do Mar é uma variação da tradicional lenda do lobisomem, um mito que se espalhou entre as várias culturas que chegaram ao Brasil.
Ao invés de se transformar em um lobo, o Lobisomem do Mar se transforma em uma criatura híbrida, meio homem, meio peixe, com escamas, garras afiadas e olhos luminosos.
Em algumas versões, a lenda diz que ele é um homem amaldiçoado, que, durante a lua cheia, se transforma e desaparece nas águas, onde ataca pescadores e marinheiros.
Há quem diga que o Lobisomem do Mar é uma alma perdida de alguém que cometeu um grande pecado e que, por isso, está preso às águas, em busca de vingança.
O Mapinguari Marinho – A Criatura Misteriosa das Profundezas
Embora o Mapinguari seja mais conhecido como uma criatura mítica das florestas amazônicas, existe uma versão marítima dessa figura, descrita como uma monstruosa criatura marinha que habita as profundezas do oceano.
O Mapinguari marinho é descrito como uma criatura de corpo imenso, coberta por uma pele grossa e escamosa. Ele tem um olho gigantesco e boca descomunal, capaz de engolir qualquer navio que se atreva a navegar por suas águas.
Alguns pescadores relatam terem visto grandes sombras no fundo do mar e ouviram sons de rochas sendo esmagadas sob a água. Acredita-se que o Mapinguari marinho se alimenta de navios e de pescadores que se aproximam demais de seu território.
O Boto – O Encantador dos Rios e Mares
Embora o Boto seja mais conhecido por sua associação com os rios, há versões do folclore que incluem o Boto como uma criatura marinha, capaz de atrair jovens mulheres para o fundo do mar.
O Boto cor-de-rosa, um golfinho de águas doces, tem a capacidade de se transformar em um homem bonito e sedutor à noite. Ele encanta as mulheres e as leva para o fundo das águas, onde se tornam parte de seu reino encantado.
Em algumas histórias, o Boto-marinho tenta fazer o mesmo, mas ao invés de atrair mulheres para seus encantos, ele também atrai marinheiros, levando-os para águas profundas onde o mistério e o perigo os aguardam.
O Navio Fantasma – O Espírito das Águas
O navio aparece em noites de neblina, muitas vezes com velas apagadas, como um vulto fantasmagórico, e é acompanhado de sons de tambores e correntes.
Conta-se que o navio fantasma carrega almas perdidas e traz maldições aos navegantes que se aproximam demais de seu caminho. Ele é geralmente associado a tragédias de piratas ou de grandes naufrágios.
O folclore marítimo brasileiro é repleto de mistérios e criaturas místicas, e suas lendas continuam a encantar e assombrar pescadores, marinheiros, mergulhadores e habitantes das cidades litorâneas.
As histórias que envolvem deuses, monstros e espíritos do mar são transmitidas de geração em geração, perpetuando a relação única que o povo brasileiro tem com suas águas e o vasto oceano que banha suas costas.
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