Catacumbas de Paris
- Thais Riotto
- 17 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Local: 1 Av. du Colonel Henri Rol-Tanguy, 75014 Paris, França

Em meados do século XVIII cemitérios parisienses, como Les Innocents (o maior cemitério de Paris) foi superpovoado o que originou a enterros impróprios, sepulturas abertas e cadáveres jogados ao ar livre.
Moradores locais começaram a reclamar da desordem e do forte cheiro exalada da decomposição dos corpos, além das doenças que se propagavam aos redores dos muros, o que teve como consequência, mais pessoas morrendo por essa nova situação sem controle.
No ano de 1763 foi emitido um decreto proibindo os terrenos da capital, mas as igrejas se opuseram o que não levou a resultado nenhum. Após fortes tempestades um dos muros cedeu, e as estruturas do cemitério entraram em colapso. Tinha que ser feito algo, dessa vez que resultassem em uma melhoria para os mortos e para a cidade em torno do cemitério.
No ano de 1786 as antigas pedreiras de calcário situado nos arredores da cidade foram abençoadas e consagradas pela igreja, transformando-se então nas Catacumbas de Paris.
Desde o primeiro dia da transformação tem sido um objeto de curiosidade até mesmo para a realeza. Contudo não era apenas como cemitério que ela chamava atenção, conta uma das lendas que o rei Charles 10, foi até lá com algumas mulheres da corte. Assim como no ano de 1814 o Imperador da Áustria, foi visitá-las e explorá-las enquanto estava em Paris. Napoleão III foi lá com seu filho. As paredes das catacumbas também possuem pichações de namoro desde o século XVIII.
As pedreiras tornaram-se um ponto turístico que reúne curiosos, além de ser solo sagrado para muitos dos espíritos que vivem no local, nas paredes e colunas ossos humanos, o que alguns chamam de decoração melancólica outros entendem que são paredes “vivas” de ossos humanos, contudo são ossos misturados e empilhados, o que não dá para definir ao certo a quem pertence cada membro. O local está aberto ao público desde do ano de 1867.

As catacumbas cortam Paris de ponta a ponta, existem muitos tuneis que não são literalmente abertos ao público, um dos tuneis passa próximo a Torre Eiffel, entre outras passagens secretas espalhadas pela cidade, dos quais nem a polícia sabe a localização exata.
Esse fato surgiu quando a polícia foi designada a fazer um exército subterrâneo nos tuneis inexploráveis da catacumba e descobriram que exploradores urbanos parisienses, conhecidos como cataphiles, “construíram ambientes”, um exemplo é uma das cavernas subterrâneas que foi transformada em um anfiteatro secreto, portando uma tela de cinema gigante e equipamentos tecnológicos. Assim como foi criado um bar e outros ambientes. A quantidade de aparatos, linhas de eletricidade e mais três de telefone.
A investigação foi feita para saber de onde vinha a energia, quando voltaram aos tuneis a energia tinha sido cortada e junto um bilhete foi deixado: “Não tentem nos encontrar”.
A polícia estima que mais de 300 cataphiles entram nas catacumbas a cada semana através de entradas secretas, aliás não apenas eles, mas também turistas explorando o local.

Na Cidade luz de Paris, também vive uma cidade sombra, no subterrâneo com entradas, passagens secretas espalhadas pela cidade, vida, som. Mas existe uma outra cidade camuflada entre as sombras e a luz, existe a cidade dos espíritos, dos encantados que caminham por entre seus ossos.
Uma curiosidade sobre o nome cataphiles, o grupo clandestino e atualmente formado por adultos, dentre eles artistas usam o nome UX, dizem que eles não se reconhecem com o nome dado pela polícia parisiense e são responsáveis por restaurarem patrimônios que foram abandonados pelo governo, alguns documentos e textos, dizem que eles encontram mapas da cidade em um dos tuneis. E que atualmente esse grupo tem ramificações, uma dessas ramificações foi o grupo responsável por consertar o relógio do Panteão de Paris.
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