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Bruxas Brasileiras: Acusações, Perseguições e Morte

Durante o período colonial, algumas mulheres foram acusadas e condenadas por práticas de feitiçaria, de bruxaria, muitas vezes devido a conflitos sociais, disputas políticas ou por desafiar normas religiosas e de gênero.


No entanto, diferentemente da Europa, onde houve grandes caças às bruxas com milhares de execuções, no Brasil os casos foram mais isolados e julgados pela Inquisição portuguesa, liderada pelo Tribunal do Santo Ofício. Entre essas mulheres, estão:

 


Thais Riotto
Thais Riotto

 

Maria da Graça


Motivo da acusação: Foi denunciada no século XVIII, em Pernambuco, por supostamente praticar feitiçaria e invocar demônios. Testemunhas alegaram que ela realizava rituais com rezas, ervas e sangue de animais para curar doenças e trazer sorte no amor.


Destino: Foi levada para Lisboa para ser julgada pelo Tribunal do Santo Ofício. Não há registros claros de sua execução, mas muitos dos condenados pela Inquisição terminavam presos, exilados ou morriam em calabouços.



 

 Branca Dias


Motivo da acusação: Era uma cristã-nova (judeus convertidos ao cristianismo) que chegou ao Brasil no século XVI, fugindo da perseguição da Inquisição em Portugal. Estabeleceu-se em Pernambuco, onde era uma próspera comerciante e educadora. Foi acusada de praticar rituais judaicos em segredo, o que era considerado heresia.


Destino:  Embora a tradição popular a chame de "bruxa", não há evidências em registros de que tenha sido queimada ou morta. Alguns historiadores acreditam que tenha sido presa e deportada.

 


 

Bárbara dos Prazeres: A Bruxa de Copacabana


Motivo da acusação: Era uma ex-prostituta do século XIX que, segundo relatos, teria se tornado uma feiticeira no Rio de Janeiro. Era temida por suas supostas práticas macabras, incluindo rituais de magia negra e sacrifícios de crianças para manter sua juventude.


Destino: Não há registros oficiais de sua captura ou julgamento. O que há são relatos de que ela desapareceu misteriosamente, mas sua imagem se tornou um símbolo do ocultismo no Brasil.

 


 

Catarina Parda


Motivo da acusação: Foi uma mulher negra escravizada, acusada de bruxaria na Bahia no século XVIII. Supostamente praticava feitiçaria para ajudar outros escravizados a fugirem e para envenenar senhores de engenho.


Destino: Foi condenada pelo Tribunal da Inquisição e provavelmente açoitada ou executada, já que os castigos para escravizados eram extremamente violentos.

 


 

Maria Joana da Silva


Motivo da acusação: Acusada no Maranhão por curandeirismo e por se comunicar com espíritos. Muitos clientes a procuravam para resolver problemas amorosos e financeiros. O Tribunal do Santo Ofício, a chamou de bruxa.


Destino: Enviada a Portugal, foi julgada e condenada à prisão perpétua. Não há registros de sua morte.

 


 

Maria Barbosa (Século XVIII - Pernambuco)


Motivo da acusação: Denunciada por vizinhos e religiosos em Olinda por práticas de feitiçaria. Diziam que ela fazia poções para mulheres que queriam seduzir homens e que mantinha um pacto com o demônio.


Destino: Não haja registros formais da Inquisição determinando sua execução, relatos orais indicam que ela foi amarrada e queimada viva por ordem de autoridades locais, sem um julgamento oficial. Esse caso ilustra como o medo da bruxaria podia levar à violência popular.

 


 

Luzia Pinta (Século XVIII - Goiás)


Motivo da acusação: Foi uma mulher indígena acusada de feitiçaria em Vila Boa (atual Goiás). Moradores locais afirmavam que ela causava doenças em pessoas e gado através de encantamentos.


Destino: Foi julgada e condenada a açoites públicos e exílio, mas há relatos de que foi assassinada por populares, possivelmente enforcada ou queimada. Como indígena e mulher, sua posição social vulnerável facilitou sua perseguição.

 


 

Ana Pires (Século XVII - Bahia)


Motivo da acusação: Uma mulher negra, possivelmente ex-escravizada, que praticava curandeirismo na Bahia. Foi acusada de fazer rituais considerados demoníacos para curar doenças.


Destino: Historiadores sugerem que ela pode ter sido queimada viva após ser linchada por uma multidão, já que a Inquisição tinha menos controle sobre territórios afastados da capital.

 


 

Antônia Nunes (Século XVIII – Rio de Janeiro)


Motivo da Acusação: Nasceu nas Ilhas Canárias, viveu na clandestinidade por anos, misturando-se à população afrodescendente e indígena, foi acusada de práticas de curandeirismo, de uso de magia negra e envenenamento.


Destino: Não registros de sua morte, foi acusada e presa.

 

 

Mulheres condenadas e exiladas: (Fernando de Noronha, Pernambuco): As Bruxas de Fernando de Noronha


No século XVIII por práticas de feitiçaria. Algumas mulheres moradoras da ilha e viajantes que buscavam abrigo e tinham conhecimentos dos mares, da navegação, das ervas, da natureza forma acusadas de bruxaria.


Algumas, segundo registros foram presas, executadas e alguns relatos dizem que algumas fugiram protegidas pela magia dos mares.  desenvolveram poderes

E até hoje, pescadores  mergulhadores relatam aparições misteriosas nas águas da região.

 


 

Métodos de punição e morte das acusadas de bruxaria no Brasil


Diferentemente da Europa, onde a fogueira era comum, as punições no Brasil variavam,:

Prisão e deportação para Portugal: Muitas acusadas foram levadas a Lisboa para julgamento pela Inquisição.


Açoites e trabalhos forçados: Escravizados acusados de bruxaria eram castigados fisicamente e submetidos a trabalhos forçados.


Excomunhão e humilhação pública: Algumas mulheres eram obrigadas a confessar seus "crimes" em cerimônias públicas.


Execução (raramente registrada): Em alguns casos, pode ter havido execuções, mas os registros são escassos.

 

Embora os casos no Brasil fossem menos frequentes do que na Europa, a Inquisição e as crenças religiosas puniram mulheres que não se encaixavam nas normas da época. Muitas delas foram vítimas de perseguições misóginas, racistas e religiosas.


No Brasil, não aconteceu, dentro de registros oficiais, execuções públicas massivas, como queima em fogueira ou enforcamento. Mas há muitos relatos que questionam as mulheres em seus conhecimentos que foram acusadas de bruxaria, e eram executadas de formas ocultas.


Do que se tem registros oficiais, a Inquisição portuguesa, que atuava no Brasil entre os séculos XVI e XIX, geralmente enviava os acusados para julgamento em Portugal, onde eram punidos com prisão, açoites, degredo (exílio) ou humilhação pública, mas raramente executados.

 


 

Casa de Câmara e Cadeia (Várias cidades do Brasil Colonial)


No Brasil, as mulheres acusadas de bruxaria eram geralmente presas em locais associados à Inquisição portuguesa, a instituições religiosas ou a cadeias comuns.


Como a perseguição às supostas bruxas aqui não foi tão sistemática como na Europa, os espaços de encarceramento variavam de acordo com a região e o período histórico. Abaixo, alguns dos principais locais que podem ter sido usados para prender mulheres acusadas de bruxaria:

 

As "Casas de Câmara e Cadeia" eram prédios que serviam tanto como sede da administração municipal quanto como prisão. Esses locais existiam em diversas cidades brasileiras e eram usados para deter acusados antes de serem julgados.

 

Casa de Câmara e Cadeia de Salvador (Bahia) - Mulheres acusadas de bruxaria e heresia poderiam ser mantidas nesses espaços antes de serem deportadas para Portugal, onde seriam julgadas pelo Tribunal do Santo Ofício.

 

Cadeia de Vila Rica (Ouro Preto, Minas Gerais) - Durante o período do ouro, a cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto) foi um dos centros mais importantes do Brasil colonial. A prisão da cidade recebeu diversos acusados de crimes contra a fé.


Mulheres negras e indígenas acusadas de feitiçaria eram frequentemente presas nesses locais, principalmente aquelas que praticavam benzimentos e curandeirismo. Como o sistema escravista era brutal, muitas delas eram açoitadas e punidas sem um julgamento formal.

 

Fortaleza de São João (Rio de Janeiro) - A Fortaleza de São João, localizada na Urca, no Rio de Janeiro, foi um dos locais usados para aprisionar indivíduos considerados perigosos à Coroa e à Igreja.


Durante o século XVII, mulheres acusadas de bruxaria ou práticas espirituais não cristãs poderiam ter sido temporariamente mantidas aqui antes de serem enviadas a Lisboa para julgamento.

 

Mosteiros e Conventos - Mulheres de classes mais altas, quando acusadas de bruxaria ou de práticas consideradas heréticas, às vezes eram enviadas para conventos como uma forma de "reeducação".


Convento de Santa Teresa (Rio de Janeiro) - Mulheres suspeitas de desvio da fé cristã podiam ser forçadas a viver enclausuradas em conventos, onde eram vigiadas por religiosas.

 

Prisão do Santo Ofício em Lisboa (Portugal) - Muitas mulheres acusadas de bruxaria no Brasil eram enviadas a Lisboa para serem julgadas pela Inquisição. O Tribunal do Santo Ofício possuía calabouços onde os prisioneiros aguardavam seus interrogatórios.

 

Casas de Detenção e Calabouços da Inquisição - Nas cidades coloniais onde a presença da Inquisição era mais intensa – como Olinda, Salvador e Recife – as autoridades religiosas e civis utilizavam casas destinadas à prisão dos suspeitos de heresia e feitiçaria.


Nesses locais, conhecidos como casas de detenção ou calabouços, os acusados eram mantidos em condições precárias enquanto aguardavam julgamento ou transferência para a corte em Lisboa. Esses espaços eram muitas vezes salas escuras, mal ventiladas e com infraestrutura rudimentar, refletindo a intenção de isolar e humilhar os acusados.

 

Olinda (Pernambuco) - Arquivos da Inquisição mencionam a utilização de casas locais para deter pessoas acusadas de práticas ocultas.


Em Olinda, por exemplo, há relatos de calabouços situados próximos às sedes dos tribunais, onde as denúncias eram inicialmente apuradas. Esses locais funcionavam como centros temporários de custódia e interrogatório, onde mulheres acusadas eram submetidas a confissões forçadas e punições preliminares.

 

Salvador (Bahia) - Em Salvador, a sede do Tribunal do Santo Ofício na capitania da Bahia possuía instalações próprias para a detenção dos acusados.


Embora os registros não detalhem a identidade de todas as mulheres mantidas nesses locais, os documentos indicam que tais casas eram utilizadas para isolar os suspeitos antes do encaminhamento para julgamentos mais formais, ou, em alguns casos, para a execução sumária por parte de grupos locais.

 

Casas de Correção e Outras Instituições Locais - Além das instalações diretamente administradas pela Inquisição, em muitas cidades coloniais existiam casas de correção ou espaços de custódia determinados pelas autoridades civis. Esses locais eram usados para manter presos indivíduos considerados perigosos ou subversivos, o que incluía mulheres acusadas de bruxaria.


As condições nesses estabelecimentos eram severas e projetadas para exercer punição e vigilância, reforçando a ordem social e religiosa da época.

 

Ambientes Multifuncionais - Em vários casos, as mesmas estruturas que serviam para outras formas de detenção (como para criminosos ou opositores políticos) eram utilizadas também para os acusados de feitiçaria.


Essa prática demonstra a sobreposição de punições aplicadas tanto pela autoridade eclesiástica quanto pela civil. Embora não haja um “nome famoso” ou único para essas casas, os registros apontam que elas eram comuns em capitanias com forte presença da Inquisição.

 


 

Como eram as condições nas prisões?


As cadeias coloniais eram extremamente insalubres, com pouca ventilação e muita superlotação.


Mulheres presas por feitiçaria frequentemente sofriam abusos físicos e eram ridicularizadas.


Algumas eram mantidas em celas subterrâneas, sem acesso à luz e em condições precárias.

 

Apesar da falta de registros detalhados sobre cada acusada de bruxaria, esses locais históricos foram, sem dúvida, espaços de aprisionamento e sofrimento para muitas mulheres vítimas da intolerância religiosa e do machismo no Brasil colonial.


A documentação sobre os locais físicos onde mulheres acusadas de bruxaria foram mantidas no Brasil colonial é escassa e, em muitos casos, envolve relatos dispersos e registros da própria Inquisição portuguesa. Isso se deve à natureza fragmentária dos arquivos e à ênfase maior no julgamento e encaminhamento dos acusados para Portugal do que na manutenção de registros detalhados das instalações. Ainda assim, alguns espaços e estruturas podem ser destacados:

 


 

Desafios na Documentação Histórica


É importante ressaltar que, devido à escassez de registros detalhados e à natureza seletiva dos arquivos da Inquisição, muitas informações sobre os locais exatos e as condições específicas dessas casas de detenção permanecem fragmentadas.


Os relatos, são depoimentos de testemunhas e documentos judiciais que não focavam em descrever a arquitetura ou a localização dos edifícios, mas sim nas confissões e nos procedimentos de tortura e punição.

 

Embora não se possa apontar com exatidão uma lista extensa de nomes ou endereços específicos de casas onde mulheres acusadas de bruxaria foram mantidas no Brasil, é possível identificar que essa realidade evidencia a vulnerabilidade das mulheres que, além de enfrentarem acusações infundadas por práticas consideradas heréticas, eram submetidas a condições desumanas e a punições severas em espaços criados especificamente para o controle e a repressão.

 


 

Rotas de Fuga e Embarcações


A fuga para o Brasil ocorria principalmente por três rotas marítimas principais:


Lisboa → Recife ou Salvador: Navios comerciais portugueses traziam colonos, entre os quais podiam vir fugitivos escondidos.


Ilhas Canárias ou Açores → Bahia ou Rio de Janeiro: Muitos fugitivos passavam primeiro por colônias insulares antes de cruzar o Atlântico.


Espanha → Buenos Aires → Brasil: Algumas mulheres fugiram da Inquisição espanhola e entraram no Brasil via o Rio da Prata.



As embarcações utilizadas geralmente eram navios mercantes que transportavam açúcar, tabaco e ouro. Em muitos casos, os capitães aceitavam levar passageiros clandestinos em troca de suborno ou favores.


Algumas mulheres vinham disfarçadas de esposas de colonos ou de empregadas domésticas.

  

 

 

O Destino das Bruxas que Chegaram ao Brasil


Muitas das mulheres que fugiram para o Brasil conseguiram recomeçar suas vidas, misturando-se à população local e se dedicando a práticas de cura e espiritualidade. No entanto, a Inquisição eventualmente enviou agentes ao Brasil para investigar e prender suspeitos de heresia. Algumas foram descobertas e deportadas para Lisboa, onde enfrentaram julgamentos e penas severas. Outras, no entanto, desapareceram nas comunidades indígenas, afrodescendentes ou rurais, escapando da perseguição.


O Brasil colonial, por sua grande extensão territorial e diversidade cultural, ofereceu um refúgio relativo para algumas dessas mulheres. Porém, a mentalidade inquisitorial permaneceu ativa por séculos, tornando a vida dessas fugitivas sempre cheia de riscos e medo.

 

 

 

 

 

 

 

1 Comment

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Luana
Mar 27
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Adoro o tema, mas não sabia de tudo isso, muito legal seu blog, já me inscrevi.

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