Novo naufrágio descoberto (2025) Dos 234 Naufrágios na costa de Santa Catarina
- Thais Riotto
- 28 de fev.
- 6 min de leitura
Local: Santa Catarina, Brasil.

A Marinha do Brasil, por meio do Projeto "Atlas dos Naufrágios de Interesse Histórico da Costa do Brasil", realizou um importante levantamento que identificou 234 embarcações naufragadas na costa de Santa Catarina. Esse estudo faz parte de um mapeamento mais amplo que catalogou mais de 2.100 naufrágios em todo o território brasileiro, abrangendo embarcações afundadas entre 1500 e 1950.
Essas descobertas não apenas revelam a intensidade da navegação na região ao longo dos séculos, mas também reforçam a importância estratégica da costa catarinense para o comércio marítimo e conflitos navais, principalmente durante períodos como a Segunda Guerra Mundial. Muitas dessas embarcações carregam valor histórico e cultural significativo, pois são consideradas patrimônio cultural subaquático pela UNESCO — ou seja, vestígios submersos há pelo menos 100 anos.
Levantamento dos naufrágios
O estudo aponta que essas embarcações afundaram entre 1500 e 1950, período em que a costa catarinense foi um importante corredor marítimo para comércio, transporte de passageiros e operações militares. Muitas dessas embarcações pertenciam a diferentes nacionalidades e estavam envolvidas em navegação comercial, operações militares e até mesmo em atividades ilegais, como contrabando.
A localização dos destroços foi realizada por meio de sonares de varredura lateral, mergulhos exploratórios e análise de registros históricos, incluindo relatos de marinheiros e arquivos da Marinha. Menos da metade dessas embarcações têm sua posição exata conhecida, o que reforça a complexidade das buscas subaquáticas.
Exemplos de naufrágios relevantes
Navio Catalão (1908) - Uma das descobertas mais emblemáticas foi o naufrágio do Navio Catalão, que ocorreu em 1908 na Praia da Cigana, em Laguna.
A embarcação de bandeira brasileira estava envolvida em atividades de contrabando.
Afundou após colidir com a Laje de Campo Bom, um acidente causado por más condições de navegação.
Hoje, o local é considerado um sítio arqueológico subaquático e protegido por lei.
Naufrágios na região da Grande Florianópolis (séculos XVI e XVII) - Entre Florianópolis, São José e Palhoça, foram identificados vários naufrágios próximos às praias de Naufragados, Ponta do Papagaio e Praia do Sonho.
Pesquisas revelaram artefatos como um canhão de bronze com brasão espanhol e pedras com emblemas portugueses.
As evidências sugerem que algumas embarcações naufragadas eram da época da União Ibérica (1580-1640), quando Portugal e Espanha estavam sob o mesmo trono.
Cabo de Santa Marta (Laguna a Jaguaruna) - Essa região é famosa por ser um verdadeiro “cemitério de navios”, com cerca de 72 registros de naufrágios documentados.
A maioria das embarcações naufragou devido a tempestades e colisões com rochedos, mas muitos casos não resultaram em vítimas fatais, pois os capitães conseguiam aproximar os navios da costa para facilitar o resgate.
Importância histórica e cultural
Esses naufrágios representam mais do que tragédias marítimas: são tesouros arqueológicos submersos que contam histórias de exploração, comércio e conflitos navais. Eles ajudam a entender as rotas comerciais, a expansão colonial e os desafios da navegação em águas brasileiras.
Além disso, o trabalho da Marinha contribui para a preservação desse patrimônio histórico, protegendo os locais de saques e ações ilegais. Pesquisas contínuas na região ajudam a revelar mais detalhes sobre a história marítima do Brasil e incentivam práticas de turismo sustentável, como o mergulho em sítios arqueológicos.
Principais locais para mergulho em naufrágios
Nem todos os 234 naufrágios podem ser explorados por mergulhadores, pois alguns ainda não tiveram suas posições exatas divulgadas ou são de difícil acesso. No entanto, algumas áreas já são conhecidas e oferecem mergulhos incríveis.
Florianópolis (Ilha do Arvoredo e Naufragados)
Naufrágio do Lili (Navio pesqueiro afundado em 1958) – Profundidade de 15 a 22 metros.
Região de Naufragados – Possíveis vestígios de embarcações dos séculos XVI e XVII.
Ilha do Arvoredo – Um dos melhores pontos de mergulho do Brasil, com naufrágios próximos.
Penha e Itajaí
Naufrágio Rebocador Perseu (Afundado em 1954, a 20m de profundidade).
Navio Orion (Naufragou em 1916, próximo à Ilha Feia, em Balneário Camboriú).
Cabo de Santa Marta (Laguna a Jaguaruna)
Região com 72 naufrágios documentados, mas muitos ainda não são acessíveis para mergulho.
Como mergulhar nos naufrágios
Escolha uma operadora de mergulho credenciada
Como os naufrágios estão em mar aberto e podem exigir certificações específicas, é necessário contratar uma operadora de mergulho que ofereça passeios guiados com segurança. Algumas das principais escolas e centros de mergulho que operam na região são:
Sea Divers (Florianópolis)
Patadacobra (Bombinhas)
Atlantis Divers (Itajaí e Balneário Camboriú)
Requisitos para mergulhar
Certificação de mergulho (Pelo menos Open Water Diver para locais rasos e Advanced para profundidades maiores).
Experiência com mergulho em naufrágios (alguns locais exigem cursos específicos).
Equipamentos adequados, como lanternas subaquáticas, roupas de neoprene e nadadeiras apropriadas para correntezas.
O que esperar dos mergulhos em naufrágios
Biodiversidade incrível – Muitos destroços se tornaram recifes artificiais, abrigando cardumes, raias e até tubarões-lixa.
Exploração histórica – Em alguns locais, é possível ver estruturas originais das embarcações, como canhões e ferragens.
Correntes marítimas – Algumas áreas têm forte correnteza, exigindo planejamento cuidadoso.
Curiosidades, mistérios e fantasmas...
O enigma das embarcações desaparecidas
Menos da metade dos naufrágios catalogados pela Marinha tiveram suas posições exatas confirmadas. Algumas embarcações foram registradas como desaparecidas sem que seus destroços fossem localizados, levantando teorias sobre sua real localização ou se afundaram em águas mais profundas do que se imaginava.
Exemplo misterioso: O "Rio Apa", um navio que afundou durante a Segunda Guerra Mundial, foi atacado por um submarino alemão e nunca teve seus destroços oficialmente identificados.
O tesouro perdido de um galeão espanhol
Arqueólogos acreditam que pode haver um navio espanhol do século XVII naufragado na região entre Florianópolis e Palhoça, carregando metais preciosos que nunca foram recuperados. Algumas peças de canhões e emblemas portugueses e espanhóis já foram encontrados, mas o paradeiro da embarcação e sua possível carga de ouro e prata permanecem um mistério.
Em 2012, pesquisadores encontraram um canhão de bronze com brasão espanhol nas proximidades da Praia de Naufragados, sugerindo que o navio pode estar enterrado sob a areia do fundo do mar.
O cemitério de navios no Cabo de Santa Marta
A região do Cabo de Santa Marta, entre Laguna e Jaguaruna, abriga 72 naufrágios documentados e é conhecida como um dos lugares mais traiçoeiros para a navegação no Brasil. Fortes correntezas, ventos intensos e bancos de areia já causaram diversos desastres marítimos.
Um dos casos mais estranhos é de um navio que afundou sem deixar destroços visíveis, levando moradores da região a acreditarem que ele teria sido "engolido" pelas correntes de areia do fundo do mar.
As marcas de torpedos nazistas em navios afundados na Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, submarinos alemães atacaram diversos navios brasileiros na costa de Santa Catarina. Algumas dessas embarcações foram atingidas por torpedos do Eixo, afundando com suas tripulações e cargas.
O navio mercante brasileiro "Aníbal Benévolo" foi atacado em 1942 por um submarino alemão e naufragou rapidamente.
Até hoje, exploradores tentam encontrar partes do casco do navio e vestígios da tripulação, que desapareceu no mar.
O fantasma do Navio Catalão (1908)
Um dos naufrágios mais famosos da costa catarinense é o do Navio Catalão, que afundou em 1908 na Praia da Cigana, em Laguna.
Segundo pescadores locais, há relatos de luzes misteriosas no mar durante a noite, como se fossem os faróis do navio ainda acesos.
Alguns mergulhadores afirmam que o casco do navio parece "se mover" lentamente sob as águas devido à ação das correntes marítimas, criando a ilusão de que ainda está navegando.
O barco sem nome encontrado coberto de corais
Em 2017, mergulhadores descobriram uma embarcação desconhecida na costa catarinense, completamente coberta por corais e vida marinha.
O navio não tinha nenhuma identificação visível, e nenhum registro histórico se encaixava exatamente em sua descrição.
Especialistas sugerem que pode ser um navio pirata ou um barco usado para contrabando, mas o mistério sobre sua origem permanece sem solução.
Informações do ano atual (2025)
Navio "Vital de Oliveira" (2025)
Em fevereiro de 2025, após 80 anos desaparecido, o navio brasileiro "Vital de Oliveira" foi localizado no litoral catarinense.
A descoberta foi inicialmente realizada pelos mergulhadores José Luiz e Everaldo, e posteriormente confirmada por autoridades marítimas. O "Vital de Oliveira" era um navio de pesquisa que desapareceu misteriosamente na década de 1940, e sua localização traz novas perspectivas para estudos históricos e arqueológicos na região.
O interesse pelo turismo de naufrágios tem crescido significativamente em Santa Catarina. Regiões como o "cemitério de navios" entre Laguna e Jaguaruna, onde pelo menos 72 embarcações naufragaram, atraem mergulhadores e entusiastas da história marítima.
Entretanto, especialistas alertam para a necessidade de regulamentação e preservação desses sítios arqueológicos, garantindo que a exploração turística seja realizada de forma sustentável e respeitosa ao patrimônio histórico
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